Guia · leitura de 8 min
Como precificar pra vender pro governo sem trabalhar no prejuízo
Vender pro governo não é vender pelo maior preço: é achar o menor preço em que você ainda ganha dinheiro, e não descer dele na hora da disputa. Este guia monta essa conta por partes: custo real, impostos, prazo de pagamento e a margem que sobra depois do pregão.
1. Comece pelo custo real, não pelo preço de tabela
O ponto de partida é quanto custa, de verdade, entregar aquele objeto: produto ou insumo, frete até o local de entrega, mão de obra, embalagem, garantia e a sua estrutura fixa rateada. Preço de tabela do fornecedor é só uma parte.
Em licitação por item ou por lote, faça a conta item a item. Um lote pode ter produtos com margens muito diferentes, e um preço médio esconde o item que dá prejuízo.
2. Impostos: o regime tributário muda tudo
O mesmo produto tem preço final diferente conforme o regime. No Simples Nacional a carga entra numa alíquota única sobre o faturamento; no Lucro Presumido ou Real, tributos como PIS, Cofins, ISS e ICMS entram separados.
Coloque o imposto no preço desde o começo, não como surpresa no fim. Uma proposta montada esquecendo a tributação é a receita clássica de vencer e descobrir que não sobra nada.
3. O prazo de pagamento é custo
O governo costuma pagar após a entrega e o atesto, e o prazo pode passar de 30 dias. Esse intervalo é capital de giro parado: se você paga o fornecedor à vista e recebe em 45 dias, financiou a operação nesse período.
Inclua o custo desse dinheiro no preço, sobretudo em contratos grandes ou de execução longa. Fluxo de caixa mal calculado quebra empresa que estava 'ganhando' licitações.
4. Defina o piso antes da disputa
Antes da sessão, calcule o seu preço mínimo: o menor valor com o qual você ainda tem margem aceitável. Escreva esse número e trate como regra. O valor estimado do edital serve de referência de teto, mas quem protege o seu bolso é o piso.
5. A disputa de lances derruba o preço
No pregão, a fase de lances é uma queda de preço em tempo real, e o critério costuma ser o menor preço. O calor da disputa leva muita gente a furar o próprio piso: vencer abaixo do custo é o pior resultado possível, pior do que perder.
Estratégia simples e disciplinada: dê lances até o seu piso e pare. Perder uma para a próxima é barato; ganhar no prejuízo, mais um contrato pra executar no vermelho.
6. Preço inexequível: baixo demais também elimina
Preço baixo demais pode ser desclassificado como inexequível, quando o pregoeiro entende que ninguém entrega por aquele valor. Além do risco de desclassificação, pode virar diligência pra você comprovar que a conta fecha.
Ou seja, o piso não é só uma questão de margem: um número irreal chama problema. O bom preço é competitivo e sustentável ao mesmo tempo.
7. O empurrão de ME/EPP: empate ficto
Se você é ME/EPP, a lei dá uma vantagem na largada: no empate ficto, proposta de pequena empresa até 5% acima da melhor (10% no pregão) pode cobrir o valor e assumir a frente. É margem de manobra que a empresa grande não tem.
Vale precificar contando com esse mecanismo nas disputas em que ele se aplica, sem abrir mão do piso.
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